quinta-feira, 10 de novembro de 2011

F é




 Antes de toda inspiração ou palavra bendita há um espírito que identifica o olho d'agua de vida, o sopro de Deus. É um instante em que o humano se amplia, enche o peito (energia), uma sala inteira, uma cidade e, chegando às estrelas, vê o mundo como a si mesmo, pequeno e grandioso. Lenine diria : É mais além"...

B. Damas



terça-feira, 8 de novembro de 2011

O mergulho



Mergulha tua alma
Deixa-te no fundo
Enche teu jarro
Bebe
Esta água é limpa



B. Damas

sábado, 5 de novembro de 2011

terça-feira, 1 de novembro de 2011

A contrario sensu








Quem questiona se encontra                                                                                Quem duvida repete a vida










B. Damas

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

A Gravata da Norma

Vivemos num mundo que insiste usar o velho paletó e arrumar a gravata como quem vai à forca. Uma gravata que coercitivamente nos lembra que “se não for assim” corremos sérios perigos...

Eu não sei dar nó de gravata. Meu pai sabe um pouco, meu avô sabia muito bem. Bem, eu não sei...
Norma, minha mulher, me deu uma gravata para eu me tornar um homem elegante.
Não usei a gravata. Já disse, não sei dar nó de gravata. Norma pediu o Divórcio.
NOrma levou tudo, me deixando apenas a gravata.
Busquei reconciliação. Talvez um nó bonito seja convincente... Quem sabe...
Em frente ao espelho. Constrangedor. Mesmo estando ali, sozinho, com a decisão de acertar a volta, o laço. Nó de gravata certinho, adequado, equilibrado...De nada adiantou. O cacareco ficou - por mais caro e sedoso -, desmantelado, frouxo, com cara de entediado. Sem postura, sem respeito. E eu, sem nó estufado e orgulhoso, perdi o orgulho também.
Cansado, desisti do feito.
Gravata não é pra mim...Norma também não.
"Pescoço é uma ponte que não gosta de muita pressão. O fluxo, o ar, a passagem precisa ser tranquila, sem conter respiração. Sufocá-lo assim, restringe os passos do "Homem por excelência".
"Com ou sem gravata fazemos isso quase sempre...com pensamentos pesados, que dão laços apertados, em nós mesmos e no OuTro... "

- Gravatas têm medo de vento!

Penduradas e amarradas, preferem que as levem.
Línguas de pano caladas. Retalhos sofisticados sem decisão. Enfeites sem efeito.
Muita gente faz bom uso da gravata. E, realmente, fica até mais elegante...Sua natureza enfeitada, sua elegância legitimada. ...Se Freud explica, não sei.
Uma gravata exaltada diante de mim e eu minguante diante da gravata...Se Nietzsche implica, não sei.
Tem gente que nasce para dar o nó. Tem gente que nasce para desatá-lo.
Gravata desatada, desenrolada, na eminencia de se soltar...esperando apenas um bom vento...
Gravata inadequada, solta, insurgente. Libertando pescoço, cabeça e mente...
Um pescoço leve, livre, nú, dono de si... Se isso alguém explica, também não sei.

B Damas.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

A Fuga de Jonas

                                                                  


  Jonas em barco estrangeiro foge do Verdadeiro
Lançado ao mar no estômago do grande peixe
Se oculta, se escuta, se desmancha
Desescama o coração...
Oração
 Pssssilêncio!Alguém está em carne viva
O mergulho vai mais além
Até que a besta viajante volte à superfície 
E cuspa fora a criatura 
 Que cansada da dúvida
 Agora
 Vai
 Viver.
                                              


B. Damas



terça-feira, 13 de setembro de 2011

Em extinção

Rabiscorus ( do hebraico clássico: רִבִּי, ribbī; significa mestre)  e cor  (que significa cor mesmo ) ou literalmente  mestre das cores, são  uma espécie sagrada em extinção de animal alado. Eles são feitos de diferentes comprimentos de onda do espectro eletromagnético. São percebidos pelas pessoas em faixa específica (zona do visível), e por alguns animais através dos órgãos de visão, como uma sensação que nos permite diferenciar os objetos do espaço com maior precisão. São caracterizados pela cor branca ( resulta da sobreposição de todas as cores primárias amarelo, azul e vermelho) e o preto que é a ausência de luz.
Sobrevoam Macapá uma vez ao ano - exatamente onde fica rabiscada a linha do Equador.
São, em sua maioria, criaturas silenciosas, mas deixam um rastro de listra por onde passam, por isso é bom tomar cuidado para não deixar lençóis e blusas brancas no varal se você não quiser aderir à moda marinheiro. Caso tenha sido inevitável o contato com as listras, não se preocupe, são aquareláveis, mas só com água da chuva .

B. Damas

segunda-feira, 5 de setembro de 2011


 Há dias em que eu não funciono, dou pane e escangalho (essa foi do baú!). Nada de desenho bom, de arrepio, alívio depois do parto...e então gasto papel desenhando passarinhos.
Minha psicanalista ( porque é chic ter uma) , explicaria que é pela vontade de ser mais leve ou de voar, mas meus passarinhos sempre estão com os pés no chão ou bicando alguma coisa, então acho que é apenas algo como aquela fome ansiosa que faz a gente sair beliscando miolo de pão pela cozinha ou  abrir e fechar a porta da geladeira sucessivamente como se um doce diferente fosse aparecer lá dentro como mágica.
 
 
Vou deixá-lo quieto, vai ficar no chão o tempo  achar que deva, enquanto isso aproveito para bicar palavras aqui e ali ... 

   p                 a    g

            j                         o            ç
         

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Dança



















Junto ou separado, de rosto colado
danço distraído no sapateado.          

Sei bem essa dança não é só alegria.
Mas enquanto o pé dói, a alma se anima .

E se um dia pelo chão eu for escorregado
com bolhas vermelhas 
vestido amassado
Juro, prometo, me levantarei:

Umdoistrês-Umdoistrês
Umdoistrês-Umdoistrês      

ParomovimentofoiqueDeusmefez!




B. Damas